Das resoluções do amor.

sábado, outubro 30, 2010 0 Comments


“Como fruta colhida ainda verde ou uma flor cortada antes de se abrir, as nossas tentativas de apressar o tempo de Deus podem estragar a beleza de Seu plano para a nossa vida. Só porque algo é bom, não quer dizer que devemos buscá-lo neste exato momento. Temos que nos lembrar que a coisa certa no tempo errado, é a coisa errada.”
- Joshua Harris.




Tuuu Tuuu
Clank
-Alô?

Então era isso?! -Me peguei pensando numa tarde de outubro, uma tarde triste e cinza de outubro. - O amor não é somente uma convenção. Aquilo que a maioria das pessoas inventam e fingem sentir diariamente, é muito mais.

Lembrei-me do dia em que a conheci e da primeira vez que a abracei... meu primeiro pensamento foi: 'agora as coisas fazem sentido'. Foi a primeira vez que me senti conectado a qualquer coisa, a primeira e única verdadeira vez que me senti vivo, quero dizer... vividamente vivo. Há uma diferença entre viveres, uma diferença que você só descobre quando encontra sua outra parte. E a ligação era tão forte que não lembro de tê-la soltado rapidamente: antes, inalei o perfume que saía dos seus cabelos, do seu corpo moreno e quente e doce, fechei os olhos para guardar como recordação para nunca mais esquecer. Ela tinha cheiro daquelas tardes onde o tempo está perfeito: nem quente, nem frio, que tem aquela sensação estranha de um conforto surreal que você nem sabia que existia, que você nunca experimentou, nem quando foi comprar aquele sofá absurdamente confortável, que dá vontade de ficar sentado ali pra sempre. Era isso, naquele abraço, tive vontade de ficar lá pra sempre. Essa foi a primeira vez que, enfim, nos encontramos. Morávamos um pouco longe um do outro, mas achávamos àquela altura, nos doces anos da mocidade que a modernidade com suas novas regras e atitudes não conseguiu roubar, que ficaríamos bem. E nos prometemos: “vamos fazer dar certo. Nós dois, só nós dois.” Quando a beijei pela primeira vez, senti o gosto dos céus. Meu corpo certamente sentiu o efeito das músicas dos serafins, porque eu senti o mundo girar. Ela também sentiu a intensidade daquilo tudo: sentia seu corpo todo tremer e seu coração bater descompassado dentro do peito, colado ao meu. Nossos coração batiam descompassadamente juntos, e, juro por Deus, era o descompasso perfeito. Depois do beijo, ela baixou os olhos, balançou um pouco a cabeça – aquele leve movimento que quase não dá pra notar – e sorriu, envergonhada. Não sabia o que pensar. Não sabia o que dizer, porque embora viessem à mente milhões de palavras bonitas, sentia que nada do que eu dissesse estaria à altura dela. Nada. Pelo jeito, nem ela sabia muito o que fazer. Mas ela era esperta e tinha um dom fenomenal de fazer graça, mesmo que não fosse engraçado. Ela empurrou meu corpo uns centímetros, sorriu nervosa e disse:
-Ia esquecendo... – Esticou a mão para mim – Valentina.
Eu sorri pra ela, segurei sua mão e disse:
-Miguel, prazer.
-Acho que agora não nos falta nada. – Riu – Você não é mais um estranho.
-Acho que agora você não é mais minha guia turística.
-Espero que não.
-Odeio quando você diz que sou um estranho, desconhecido. Você acha mesmo que eu sou um desconhecido, só porque não estive presente, digo realmente presente, nos últimos tempos?
-Você foi por algum tempo, você foi um desconhecido até eu ver seus olhos.
Visivelmente constrangida, ela desviou o olhar. Eu senti a mesma coisa quando a vi pela primeira vez – e podem me chamar de antiquado, de lunático – mas quando a vi na câmera, por mais surreal que pareça, e eu sei que parece e até é, tudo ficou claro. Aqueles olhos de um castanho escuro profundo me fizeram acreditar, me fizeram saber quem eu era naquele momento e quem eu queria ser. E o que eu queria ser? Eu queria ser dela, fazê-la feliz, fazer parte da vida dela, ser parte da vida dela. Nela, eu conseguia me enxergar, sem modismos, sem mentiras, sem vaidade. Era eu, era ela, éramos nós. E eu agradeci a Deus por aquele momento.
Ficamos juntos duas semanas. Não e nem rolou nada – por mais que eu quisesse. Mas ela tinha princípios fortes, tinha sonhos e por mais que ela me quisesse – sim, porque ela me queria. Nós tínhamos uma necessidade um do outro em todos os aspectos, era quase desesperador – ela queria mais de mim, mais de nós. Ela e os princípios dela. Lembro de quando ela me confessou o seu medo:
-Miguel, só não quero que você pense que eu sou igual às outras. Porque eu não sou. E não estou falando isso sendo arrogante nem nada, é só que as coisas funcionam diferente pra mim. Não quero perder você, e sei que você pode me achar antiquada, retrógrada, mas é quem eu sou. E não posso desistir de mim por mais que eu goste de você. E acredite, eu gosto mais do que deveria.
Ela não precisava dizer que era diferente das outras, qualquer um que estivesse em sua presença sentia isso, era quase palpável. Eu a admirava e a respeitava. Era difícil encontrar uma jovem tão bonita, sexy – ela era muito sexy, por mais que odiasse quando eu dizia isso – inteligente, engraçada que não tinha se perdido num mundo onde tudo é vaidade. Ela me mostrou o mundo dela e eu quis fazer parte dele. Foram as duas melhores semanas da minha vida. Foram sim.
O tempo passou, nos vimos mais duas vezes, durante as férias. Ela estudava e eu trabalhava. Não tínhamos como nos ver constantemente, aprendemos a viver com o que tínhamos.
Comecei a sair com meus amigos e me sentia horrível por não tê-la ao meu lado. E, sinceramente, nenhuma outra garota me interessava, não fazia sentido se não fosse a minha Valentina. Mas foi ficando difícil, e a falta que ela me fazia era insuportável. Não queria mais passar tanto tempo sozinho, não queria ser mais piada na boca dos meus amigos. Mas não tinha coragem de terminar. Comecei a evitá-la. E ela percebeu. Me perguntava o que estava acontecendo e pedia: “por favor, me diga a verdade. Você ainda gosta de mim? Gosta mesmo?” É lógico que eu gostava dela, mas naquele momento, eu estava sendo muito idiota. E eu dizia que gostava dela:” É claro que eu gosto de você. Só estou confuso.” Era o que eu dizia como resposta. Ela não merecia aquilo, ela merecia alguém melhor, ela merecia o meu melhor e eu estava sendo incapaz de fazer qualquer coisa por ela.
Não demorou muito até ela me jogar umas verdades na cara:
“Eu gosto mesmo de você, eu te quero tanto bem... você não tem ideia. Mas lembra quando eu disse que eu desisto das coisas, por mais que eu não queira? Bom, estou desistindo de você. Você é covarde demais para aceitar o que é real, o que a contece com a gente. Eu também tenho medo, tenho medo desse sentimento todo e desse querer bem tão grande dentro de mim. Essa coisa toda que acontece com a gente e que a gente não vê acontecer com mais ninguém por aí afora, e isso assusta. Você é covarde demais pra aceitar um amor tão puro como o meu e eu te juro, Miguel, você nunca vai encontrar alguém como eu, alguém que te queira assim, alguém que te faça ser você. Mas antes de eu desistir mesmo, eu preciso te perguntar pra um dia não olhar pra trás e sentir que fiz tudo que era possível: Você me quer?
-Quero. Muito!
-Agora?
-Eu não posso fazer isso agora. Não posso ficar com você agora.
-Poder, você pode. Mas você não quer. Eu entendo. Nunca me iludi achando que seria fácil, mas acho que é hora. Só quero que você saiba que eu amo você, que eu amo mesmo você.
-Tina... eu sinto muito.
-Deixa eu terminar... – Disse num suspiro, fiz silêncio – Você não me deve nada, nem desculpas nem nada. Todos os dias tive oportunidade de mudar minha decisão, mas todos os dias eu escolhi amar você. E quero te pedir só uma coisa: não se esqueça de mim, não se esqueça de nós. Porque um dia, quando você finalmente perceber, talvez ainda haja tempo. Se for mesmo amor talvez, em algum lugar, em algum momento, um dia, ainda haja nós.
Ela nem precisava me pedir pra não esquecê-la, era totalmente impossível esquecê-la. Eu fui um covarde, eu sabia o tempo todo o que era, mas ela estava certa, tudo tem um tempo certo para acontecer. Hoje, dois anos depois daquela conversa, acho que acordei. Talvez tenha acordado há mais tempo, mas é preciso digerir certas coisas, estou com medo que ela tenha encontrado outro alguém, um alguém que lhe deu tudo que merece, tudo que eu não dei, que eu não quis dar.
Estou torcendo para que você não tenha encontrado, porque embora tenha saído com outras garotas, você nunca deixou meu pensamento, nem por um segundo. Sempre que fechei meus olhos, todos esses anos, foi você quem eu vi. E só com você senti que valia a pena, senti que eu estava vivo, respirando, amando, acreditando.

Querida, te liguei pra dizer que eu ainda acredito nas palavras que te disse numa noite antes de partir, e que você chorava, e eu te dizia que ficaríamos bem... você é a minha prova de que Deus não somente existe, mas me ama. A melhor prova que Ele poderia me dar, mesmo sem ter obrigação alguma de me provar nada. Naquele tempo, eu não estava pronto para tudo de nós, mas eu ainda acredito, não deixei de acreditar em nós. Talvez eu tenha demorado um pouco pra perceber que quando estávamos juntos, mesmo distantes, nunca estive sozinho. Nem mesmo quando terminamos, você foi minha companhia todas as noites, foi você quem fez as noites mais suportáveis.
Querida, liguei pra te lembrar nossa história, lembrar tudo o que fomos e tudo que ainda podemos ser, se ainda houver nós. Eu quero ser antiquado como você, com você... pra sempre.

-Achei que você não fosse ligar nunca – Valentina dizia com a voz trêmula de emoção – Estava começando a me desesperar, sabe?! – Completou rindo. E a felicidade se fez.

Sim, amor é isso. É isso e muito mais.
“Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.”

Maggie

Some say he’s half man half fish, others say he’s more of a seventy/thirty split. Either way he’s a fishy bastard.

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