Sobre escritores

quinta-feira, novembro 24, 2011 4 Comments



Escrever é um ato mágico: misturar palavras, dar-lhes novos significados e rimas e composições e sons. Sim, sons...  porque quando as palavras saltam aos olhos, fazem pequenos ruídos que ecoam dentro do nosso ser. 
E o escritor? Ah, quase um feiticeiro. Na verdade, é um feiticeiro egocêntrico e mentiroso. 
O escritor faz parte de uma raça que diz querendo dizer fingido não querer dizer.  Se alguém percebe as idiossincrasias levianas em cada vírgula ou marca de tinta, ele diz que tem licença poética.  De uma coisa eu ainda não tenho certeza: quem se engana mais; o leitor ou o escritor em suas vãs tentativas de chamar atenção para a sua causa de maneira quase indecente que é quase um ato de covardia. E fica nesse jogo de vaidade, porque tudo, no fim, é só vaidade: buscando  alguém que o desvende já que ele próprio não pode fazer. E quando conseguiu desvendar a si mesmo, procura alguém, além de si, que o compreenda e o aceite.  E consiga ver o mundo através de suas lentes multicoloridas e caleidoscópicas e assim não se sentir tão só. 
Porque escritores sentem-se sós. Encontram nas palavras, nas rimas ou advérbios deslocados uma companhia. E cada palavra é uma nova promessa de que tudo acabará bem – talvez não o bem que se espera, mas o bem que deveria ser e foi. Cada palavra é uma gota de esperança num mar de realidade sem fim.
Escrever é um dos atos mais tristes e lindos entre os dons humanos... tão lindo e tão triste que, às vezes, é sobrenatural. É mágico. 
Mas a verdadeira mágica acontece quando duas orações descoordenadas se esbarram em esquinas cheias de reticências, de pensamentos soltos e palavras que ficaram por dizer. Quando o encontro de duas almas incólumes acontece, a magnificência das letras transbordam telas, papéis e se fazem maior que tinta:  é real, não se está sozinho. 
Escrever é o maior ato de sobrevivência que existe. E o escritor é um feiticeiro egocêntrico e mentiroso que luta pela vida - pela própria vida no meio da dos outros tentando encontrar a palavra que lhe dê tino.

Emma

Some say he’s half man half fish, others say he’s more of a seventy/thirty split. Either way he’s a fishy bastard.

4 comentários:

  1. Oi Manu!
    Olha, gostei muito do seu texto e de como você retrata o escritor, acho que é bem isso mesmo. Eu, que já gosto de magia e essas coisas, achei perfeita a analogia.
    Bjuss

    http://rickyoz.blogspot.com/

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  2. Nesta definição de escritora, não me encaixo.

    Beatriz Andrade ,
    http://paraisodemenina.blogspot.com/

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  3. Adorei o blog, parabéns e escreva sempre! Você tem talento...já estou seguindo e pretendo voltar sempre, se puder me dar uma força também e seguir eu ficaria grato...
    www.paullolenore.blogspot.com

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  4. escrever é aguçar a imaginação, é flutuar nas palavras e conhecer a essência da vida. Parabéns pelo blog! FELIZ NATAL. blogestarcomvoce.blogspot.com

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